O projeto tinha tudo pra ser um pequeno colosso doméstico. A receita dos deuses. Um petisco adocicado pra seduzir visitas de domingo. Essas pessoas que vêm fazer projetos na casa da gente. Espertinhos. Euzinha e de quem copiei a receita.
A não ser porque o forno e minhas habilidades culinárias não se acertam muito. Todo o resto ficou supimpa, castanhas, de caju e do Pará, passas, de uvas brancas e pretas. O amendoim roxinho, de tão preto e torradim. Ainda pensei em aproveitar uma parte que ficou meio bordô. Não rolou.
Vou desistir? Não, claro que não. Nem de escrever eu vou. Só porque faz dias que não. Nem por isso. Muito pelo contrário. Deve ser coisa fermentando dentro. Ai, medo. Hehe. Brinquedo.
Amanhã, o resultado da carta pra Clarice. Eu tenho, sim, expectativa. Eu aposto. Invisto. Espero. Acredito. Tenho fé. E trabalho. Até quando não faço nada. Lugar comum.
O lugar comum também é um lugar a ser visitado, a propósito. Assim como de tão diferentes os óculos acabam sendo todos iguais. E a gente quer ser diferente. A gente quer ser a gente. Não é isso? Ahã. E bem bom que é.
Até às seis da manhã. Ser quem se é. E ser bem feliz. Parece que nem tem comparação. E tem. Ô se tem. Com quem se foi, com quem se deixou de ser, com quem se será e com quem não se é. E por aí vai.
Aprender é bom demais. Até a torrar amendoim. Cinco minutos a menos de forninho. Cinco ou até sete e meio a menos. Daí bronzeadinhos e casquinhas farelando. Que venha a visita no domingo pra sedução.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Proclamação
Era isso que eu queria dizer pra ele.
O lado quente do ser
Marina Lima
Composição: Marina Lima / Antônio Cícero
Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor
Esse querer me ilumina
E eu não quero, amor
Nada de menos
Dispense os jogos desses mais ou menos
Pra que pequenos vícios
Se o amor são fogos que se acendem
Sem artifícios
Eu já quis ser bailarina
São coisas que eu não esqueço
E continuo ainda a sê-las
Minha vida me alucina
É como um filme que faço
Mas faço melhor ainda
Do que as estrelas
Então eu digo, amor
Chegue mais perto
E prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora
Venha compor uma trilha sonora
Pra o amor
Eu gosto de ser mulher
Que mostra mais o que sente
O lado quente do ser
E canta mais docemente
Sim, eu sou – como direi? – impetuosa. Não é bem isso. Exagerada. Também não. Porque não é que seja exagero. Naquele exato momento eu poderia mesmo dizer isso. E seria exato. Preciso. Definitivo não. Nem de longe. Penso eu. Entende? Pois é.
Agora mesmo desconfio que o momento já passou um pouco. É assim.
É que eu desconfio que não é ele. Embora eu pense que não se pode saber bem isso. Ou se pode? Eu soube daquela vez. Soube? Ou fui vivendo? Acho que fui vivendo. Todas as vezes fui vivendo. É assim. É assim que é. O amor.
Pois é.
Bebi tanto que perdi cinqüenta reais. Não quero falar sobre isso. E falei. Eu preciso me expor. Ainda que secretamente.
Daí eu disse pra ela não sei se eu sei bem por que. Até desconfio. Mas hoje em dia são tantas coisas. Pode ser essa minha cabecinha privilegiada que pensa, pensa, pensa. Agora fiz umas luzes pra ver se apaga um pouco dentro acendendo fora. Que horror. Mas é. Ou pode ser esse meu corpinho esbéltico que dá, sim, um trabalhão. Ou ainda essa minha solidão aguda, aguda, aguda. O que é?
Passei o óleo trifásico. Ninguém pra dizer cheirosa. Bem baixinho no meu ouvido. Botei um vestido que farfalha. Não sei se farfalhar pressupõe fazer barulho. Ou se pode ser só o movimento. Será que nesse caso tem que ser esvoaça? É. Esse é um vestido esvoaçante. Tipo pra passear num campo bem verdinho. Ele tem flores. O vestido. É suave. E foi um passeio suave. Não quero dizer mais nada. Sobre isso. Eu acho.
É que eu me disponho. À vida. E à paixão.
Bom, talvez ele nem veja mesmo. O iogurte quero dizer. Te contei, né? Trabaio com um oio no texto e otro no iogurte. La mierda la proclamación. Ainda não superei. Nem sei se vou.
O lado quente do ser
Marina Lima
Composição: Marina Lima / Antônio Cícero
Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor
Esse querer me ilumina
E eu não quero, amor
Nada de menos
Dispense os jogos desses mais ou menos
Pra que pequenos vícios
Se o amor são fogos que se acendem
Sem artifícios
Eu já quis ser bailarina
São coisas que eu não esqueço
E continuo ainda a sê-las
Minha vida me alucina
É como um filme que faço
Mas faço melhor ainda
Do que as estrelas
Então eu digo, amor
Chegue mais perto
E prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora
Venha compor uma trilha sonora
Pra o amor
Eu gosto de ser mulher
Que mostra mais o que sente
O lado quente do ser
E canta mais docemente
Sim, eu sou – como direi? – impetuosa. Não é bem isso. Exagerada. Também não. Porque não é que seja exagero. Naquele exato momento eu poderia mesmo dizer isso. E seria exato. Preciso. Definitivo não. Nem de longe. Penso eu. Entende? Pois é.
Agora mesmo desconfio que o momento já passou um pouco. É assim.
É que eu desconfio que não é ele. Embora eu pense que não se pode saber bem isso. Ou se pode? Eu soube daquela vez. Soube? Ou fui vivendo? Acho que fui vivendo. Todas as vezes fui vivendo. É assim. É assim que é. O amor.
Pois é.
Bebi tanto que perdi cinqüenta reais. Não quero falar sobre isso. E falei. Eu preciso me expor. Ainda que secretamente.
Daí eu disse pra ela não sei se eu sei bem por que. Até desconfio. Mas hoje em dia são tantas coisas. Pode ser essa minha cabecinha privilegiada que pensa, pensa, pensa. Agora fiz umas luzes pra ver se apaga um pouco dentro acendendo fora. Que horror. Mas é. Ou pode ser esse meu corpinho esbéltico que dá, sim, um trabalhão. Ou ainda essa minha solidão aguda, aguda, aguda. O que é?
Passei o óleo trifásico. Ninguém pra dizer cheirosa. Bem baixinho no meu ouvido. Botei um vestido que farfalha. Não sei se farfalhar pressupõe fazer barulho. Ou se pode ser só o movimento. Será que nesse caso tem que ser esvoaça? É. Esse é um vestido esvoaçante. Tipo pra passear num campo bem verdinho. Ele tem flores. O vestido. É suave. E foi um passeio suave. Não quero dizer mais nada. Sobre isso. Eu acho.
É que eu me disponho. À vida. E à paixão.
Bom, talvez ele nem veja mesmo. O iogurte quero dizer. Te contei, né? Trabaio com um oio no texto e otro no iogurte. La mierda la proclamación. Ainda não superei. Nem sei se vou.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
[...]
no verso
do verso
de sol
se faz
um poeta
de dor
se faz
um homem
de brisa
uma mulher
de fome
se faz soldado
de sonho
e borboleta
se faz
uma alucinação
estou no Texas
so far away
too far to be true
do verso
de sol
se faz
um poeta
de dor
se faz
um homem
de brisa
uma mulher
de fome
se faz soldado
de sonho
e borboleta
se faz
uma alucinação
estou no Texas
so far away
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domingo, 4 de novembro de 2007
Puf. Acordei.
Acordei ali pelas sete de domingo. Eu ando tão descoordenada nos meus horários. De dormir e de comer. Isso quando como. Sim, porque dormir eu durmo. Não necessariamente de noite. Quase nunca de noite. Tô me acordando pra isso também. Será que todo esse movimento é em função dessa “relação” com essa pessoa? Ahã. Acho que sim. Faz o quê? Uns vinte dias isso? Pode que sim. Pode que já.
Pois então. E agora isso. A pessoa me convida pra sair anteontem. Tudo aquilo. Bem legal eu pensei. Daí ontem eu ia dizer pra ele vir aqui ver televisão comigo. Fiquei sem jeito. Não disse nada. De manhã descubro, ao acordar, nas páginas da internet, onde tudo se descobre, principalmente o que se quer que seja descoberto, que a figura passou a noite com outra pessoa. Tá? Fui traída! Pela primeira vez que eu saiba. Sim, eu sei que não é literalmente uma traição, já que não temos nada. Nada. A sensação é terrível igual. Tipo. Puf. Acordei. Pra ele, a história que tava rolando entre a gente não tem grande significado. Me conta outra versão. Não tem, né?
Agora, não tem jeito. Ficar triste, magoada, chateada. No mínimo, pensar que pena! Pra mim, tinha significado. Mesmo tendo começado de um jeito meio torto. Eu bêbada. A gente transando logo de cara. Essas coisas. Essas coisas que eu já tinha aprendido a fazer diferente. Mesmo assim, pra mim, fazia sentido. E eu queria que continuasse. Agora, não quero mais. Tô braba também. Ofendida. Além de tudo, ele expôs o troço na web. Bom, tá, a vida é dele.
É, mas é isso. Quanto mais eu leio a merda do recado, mais claro fica pra mim. Que ele não tá a fim. Não pode tá a fim. Ele sabe que eu ia ler. Não é idiota. Então, paciência. Vou tentar dormir mais um pouco. Depois acordar de novo. E tocar a vida pra frente. Que venha o próximo. Quer dizer, eu também vou continuar procurando alguém interessante. Agora já sei, tô começando a entender, que posso encontrar as pessoas. Que elas podem se interessar por mim. E coisas ricas podem acontecer. Prosseguirei. Até encontrar um par. Infinitamente.
Pois então. E agora isso. A pessoa me convida pra sair anteontem. Tudo aquilo. Bem legal eu pensei. Daí ontem eu ia dizer pra ele vir aqui ver televisão comigo. Fiquei sem jeito. Não disse nada. De manhã descubro, ao acordar, nas páginas da internet, onde tudo se descobre, principalmente o que se quer que seja descoberto, que a figura passou a noite com outra pessoa. Tá? Fui traída! Pela primeira vez que eu saiba. Sim, eu sei que não é literalmente uma traição, já que não temos nada. Nada. A sensação é terrível igual. Tipo. Puf. Acordei. Pra ele, a história que tava rolando entre a gente não tem grande significado. Me conta outra versão. Não tem, né?
Agora, não tem jeito. Ficar triste, magoada, chateada. No mínimo, pensar que pena! Pra mim, tinha significado. Mesmo tendo começado de um jeito meio torto. Eu bêbada. A gente transando logo de cara. Essas coisas. Essas coisas que eu já tinha aprendido a fazer diferente. Mesmo assim, pra mim, fazia sentido. E eu queria que continuasse. Agora, não quero mais. Tô braba também. Ofendida. Além de tudo, ele expôs o troço na web. Bom, tá, a vida é dele.
É, mas é isso. Quanto mais eu leio a merda do recado, mais claro fica pra mim. Que ele não tá a fim. Não pode tá a fim. Ele sabe que eu ia ler. Não é idiota. Então, paciência. Vou tentar dormir mais um pouco. Depois acordar de novo. E tocar a vida pra frente. Que venha o próximo. Quer dizer, eu também vou continuar procurando alguém interessante. Agora já sei, tô começando a entender, que posso encontrar as pessoas. Que elas podem se interessar por mim. E coisas ricas podem acontecer. Prosseguirei. Até encontrar um par. Infinitamente.
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sábado, 3 de novembro de 2007
Feelings
Eu verbalizei isso agora. Tudo que tá no escondidinho de camarão pode escorregar pro sopa de pacotinho. Entendeu? É um barato isso. Enquanto estiver no escondidinho de camarão não tem compromisso com nada nem com ninguém. Indo pro sopa de pacotinho também não tem. A princípio não tem. Mas já é uma coisa mais pública. Convém ter a noção.
Well, about feelings, I was thinking that I don’t know what to think. Menino, quanto mais eu me benzo mais o saci me tortura. Eu sou da opinião que a gente tem que expor os sentimentos. Meu sais, abrir o peito. Vivi tão sufocada. E não é geléia a exposição. Mas vamos vivendo.
Não tem nada a ver. Não disse nada até agora. E daí? Quantos políticos passaram anos sem dizer nada? Quantos chefes enrolando? Quantos professores que não ensinaram? Que não acrescentaram? Quantos pais que não estiveram lá? Quanta bosta? Peraí!
Eu tenho coerência. Com as minhas coisas. Te aconselho que tenha coerência. Que tenha limites. Que pense no outro. Que tu não tá sozinho. Não importa o quanto doa o tamanho da tua solidão. Tu não tá sozinho. Tá. Te sente. Mas não tá. É a bosta infinita. E é assim que é. Vamos parar por aqui.
Well, about feelings, I was thinking that I don’t know what to think. Menino, quanto mais eu me benzo mais o saci me tortura. Eu sou da opinião que a gente tem que expor os sentimentos. Meu sais, abrir o peito. Vivi tão sufocada. E não é geléia a exposição. Mas vamos vivendo.
Não tem nada a ver. Não disse nada até agora. E daí? Quantos políticos passaram anos sem dizer nada? Quantos chefes enrolando? Quantos professores que não ensinaram? Que não acrescentaram? Quantos pais que não estiveram lá? Quanta bosta? Peraí!
Eu tenho coerência. Com as minhas coisas. Te aconselho que tenha coerência. Que tenha limites. Que pense no outro. Que tu não tá sozinho. Não importa o quanto doa o tamanho da tua solidão. Tu não tá sozinho. Tá. Te sente. Mas não tá. É a bosta infinita. E é assim que é. Vamos parar por aqui.
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Pois é
Tu não deve saber fazer ponto cruz. Não tô te subestimando. Se tu quiser eu inclusive te ensino. Te ensino até o avesso perfeito. O avesso perfeito que nunca ninguém me ensinou. Saber fazer o avesso perfeito tem a ver com tudo o mais. Não é só o avesso de uma peça. É o avesso. O avesso é o verso do direito. E o verso do direito tem todo o direito de ser tão direito quanto o direito da peça. É uma questão de princípio. Quem vive sabe. Eu posso te ensinar isso. Fica do meu lado que eu te ensino isso. Isso não é uma chantagem. Fica do meu lado por uns momentos. Profundos, como diz o Caetano. E eu penso que tu vai entender isso. O avesso é tão direito quanto o direito é avesso.
Pois é exatamente porque eu penso que tu não sabe fazer ponto cruz que eu penso que eu tenho que pensar em todas as outras possibilidades. Eu preciso de alguém que saiba fazer o avesso perfeito. Ou pelo menos alguém que esteja disposto a aprender a arte de tecer o avesso perfeito. Alguém que entenda o que está por trás do avesso perfeito. E que entenda mais do que isto. Alguém que entenda o que está no direito do trabalho. Ou seja, o que é o avesso do avesso. O que é o direito. Será que tu é essa pessoa? É tu que tem que responder essa pergunta.
Por enquanto, eu tô à tua inteira disposição. Porque tem mil coisas. Eu disse mil coisas. Eu sei, é uma figura de linguagem. Mas eu vou dizer de novo. Existem mil coisas que me fazem estar aqui à tua disposição, pagando pra ver se tu vai conseguir fazer o avesso perfeito. Tá bom, se tu não conseguir, eu quero te ensinar. Mas não é nem isso. Nem falaremos sobre isso. Isso está no meu avesso. Eu quero saber se tu sabe bordar o básico, o todos pra lá, depois volta, todos pra cá. Eu quero saber se tu vai sair do teu lugar, de glória, de conforto, eu quero saber da tua disposição, eu quero saber se tu conhece as tuas figuras, se tu te borda e te governa. Tu não acha que isso é bonito? Saber bordar e governar a si mesmo. E assim poder sair bordando mundo afora o avesso e o direito de quem quer que seja? Ou de alguma figura em especial?
Pois é exatamente porque eu penso que tu não sabe fazer ponto cruz que eu penso que eu tenho que pensar em todas as outras possibilidades. Eu preciso de alguém que saiba fazer o avesso perfeito. Ou pelo menos alguém que esteja disposto a aprender a arte de tecer o avesso perfeito. Alguém que entenda o que está por trás do avesso perfeito. E que entenda mais do que isto. Alguém que entenda o que está no direito do trabalho. Ou seja, o que é o avesso do avesso. O que é o direito. Será que tu é essa pessoa? É tu que tem que responder essa pergunta.
Por enquanto, eu tô à tua inteira disposição. Porque tem mil coisas. Eu disse mil coisas. Eu sei, é uma figura de linguagem. Mas eu vou dizer de novo. Existem mil coisas que me fazem estar aqui à tua disposição, pagando pra ver se tu vai conseguir fazer o avesso perfeito. Tá bom, se tu não conseguir, eu quero te ensinar. Mas não é nem isso. Nem falaremos sobre isso. Isso está no meu avesso. Eu quero saber se tu sabe bordar o básico, o todos pra lá, depois volta, todos pra cá. Eu quero saber se tu vai sair do teu lugar, de glória, de conforto, eu quero saber da tua disposição, eu quero saber se tu conhece as tuas figuras, se tu te borda e te governa. Tu não acha que isso é bonito? Saber bordar e governar a si mesmo. E assim poder sair bordando mundo afora o avesso e o direito de quem quer que seja? Ou de alguma figura em especial?
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